
3 Lições das CreativeMornings que também são Lições de Vida!
Em Julho de 2015 aceitei o convite para ser oradora nas CreativeMornings Porto, sob o tema “Colaboração”. Foram dias intensos de preparação, os que antecederam essa sexta-feira, já que o tema me dizia realmente algo forte e a vontade de preparar uma sequência com sentido para mim e para quem ouvia era gigante.
Saber que há pessoas presentes às 08h30 de uma sexta feira para nos ouvir traz um sentido de responsabilidade acrescentado e um desafio de flor de pele. A mensagem e a forma tornam-se, por isso, particularmente importantes.
Ainda que dar conferências faça parte do meu trabalho habitual, há sem dúvida 3 aspetos que marcaram essa experiência como oradora, vista à distância de 4 anos:
1. Partilhar ideias para uma comunidade que se conhece muito bem, desde dentro, e com a qual há identificação, é uma mais-valia.
Lembro-me do momento de preparação como uma conversa silenciosa comigo mesma, enquanto assistente. O que importa partilhar? O que gostaria eu de ter ouvido a este respeito? Qual a relevância deste ou de outro aspeto? Como contar um mesmo facto de uma forma que se encaixe no mood especificamente matinal? O que mais fará mover a energia de quem ouve, conhecendo bem o tipo de público que costuma assistir?
A adaptação a quem receberá a mensagem é sempre fundamental, mas neste caso, uma conversa às 09h00 da manhã, com um público que demonstra interesse só por sair da cama, exige uma adaptação com frescura e leveza particularmente grandes. Ter estado na audiência durante tantas outras conferências permitiu-me falar para mim mesma como espectadora e assim adaptar-me aos restantes espectadores que ali estavam, desta vez como assistentes do que eu tinha para contar.

2. As partilhas só têm sentido quando vêm desde dentro.
O público das CreativeMornings vem de poros abertos e interesse à flor da pele. Mover o dia para as horas iniciais da manhã só se justifica se o conteúdo do que o vai encher for rico e pertinente e, assim, conseguir nutrir o resto do dia. Assim sendo, é fundamental que a mensagem parta de lugares que façam sentido (e de sentir o outro).
Lembro-me do feedback de uma das assistentes que tocava o ponto da autenticidade. Dizia ela que a conferência tinha valido a pena pela sensação clara que de não ouvia (só) teorias ou histórias mas impressões pessoais desde dentro. E que teria sido isso a mais-valia daquela meia hora de atenção focada.
Ao construir a narrativa para essa apresentação lembro-me bem da seleção de conteúdos que permitissem sentir desde dentro as ideias que queria apresentar. E só sentindo se pode fazer sentir. Mensagens que partem de lugares autênticos parecem funcionar como cafeína nas atenções matinais.

3. A criatividade está presente em tudo.
Numa conferência para as CreativeMornings não é só o tema geral de cada episódio que importa, mas a sua ligação com o mundo criativo, aquilo que une os presentes. Cada tema ganha mais ao tornar visível essa perspetiva maior. Esse desafio engrandece a própria narrativa e enriquece o conteúdo a passar. No meu caso, não era só falar de Colaboração que imperava, mas pensar nas várias formas nas quais ela se relaciona e encaixa no contexto e na forma criativa de se apresentar.
Uma apresentação preparada com esta perspetiva ganha sem dúvida uma visão mais ampla, mais global e permite uma maior aplicabilidade dos conteúdos a quem se encontra na audiência. Ao mesmo tempo, permite também enquadrar o próprio tema, em si normalmente amplo, para um contexto mais específico. Teria sido diferente falar do meu tema para um público empresarial, escolar ou para este público, e é isso que torna cada apresentação potencialmente única, nas CreativeMornings.
Foram várias as memórias deixadas por essa manhã, mas estes três aspectos deixaram na pele uma agradável sabor a encontro, a partilha e a descoberta matinal, com direito a bom café e belas conversas antes e depois!
Texto: Edite Amorim
Imagem: Filipe Brandão