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TE ENCONTRASTE NO SILÊNCIO?

Coincidência ou não, a última CreativeMornings do ano é a primeira brindada pela chuva, que talvez tenha vindo para convidar ao Silêncio, o tema de que vamos falar hoje. Mas antes disso, o que se impõe é a animação de um pequeno-almoço em que conhecemos pessoas novas ou reencontramos as que já nos são familiares!

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Para ajudar à festa nada melhor do que uma fatia de pão da Garfa com os patés e compotas da Greenalyn numa mão e um smoothie Autêntico na outra. No capítulo dos doces, há muito por onde escolher: bolos do Chá das Cinco e da Supernova, cupcakes e bolachinhas do Piquenique e brigadeiros da Doce Ternura. Para a energia deste dia que começa, como sempre, às 8h30 no WOW – Work on Wood by Finsa, nada melhor do que um café da Senzu Coffee Roasters ou um chá Honest!

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Às 9h em ponto, é altura de fazer 1 minuto de Silêncio com a Mariana Abranches Pinto. A Mariana é arquiteta paisagista há mais de 20 anos, mas ao passar por um problema de saúde grave percebeu que aquilo de que mais necessitava, estar com outras pessoas que a soubessem ouvir, era muito difícil de obter. É aí que se dá uma reviravolta profissional e pessoal, em que decide passar a dedicar-se a duas causas: recolocar a compaixão no centro das relações humanas e relembrar a importância de cuidar dos outros, que é o cuidado que nos torna mais humanos.

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Há dois Silêncios que são fundamentais trabalhar: o Silêncio da morte e o Silêncio interior. Não pode estar mais certo José Tolentino de Mendonça quando diz que “somos analfabetos do Silêncio”. É nesta alfabetização que a Mariana atua! Cria o Grupo ao 3º Dia, onde reúne mensalmente pessoas que passaram ou estão a passar por doenças graves e que querem falar sobre isso, partilhar as suas histórias e rir e chorar com elas. O objetivo destas conversas é incitar a viver ao máximo, de forma positiva, proporcionando a travessia “da fragilidade à ternura lenta”. Este projeto tem já 6 anos e, para além do Porto, realiza-se também em Lisboa e Braga.

Quando estamos doentes aparecem as perguntas existenciais, que têm a ver com uma dimensão mais espiritual. A espiritualidade é um músculo que se treina com recurso ao silêncio, não como sacrifício, mas como forma de a pessoa se encontrar, de se escutar e tomar decisões, de perceber o que quer fazer da vida, que é finita e que se deve aproveitar ao máximo. Muitas vezes as pessoas não encontram a paz porque não sabem parar para fazer este exercício de escuta interna, de ir ao essencial.

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Associa-se, também, ao movimento internacional Death Cafe, para promover a desmistificação do tabu de falar sobre a morte e disseminar a ideia de que deixar coisas por dizer ou fazer não é bom para nenhum dos lados e que conversar sobre isso pode ajudar muito em todos os sentidos. A “conspiração do silêncio” não permite que as pessoas se despeçam e que todos fiquem mais em paz. Não falar da morte é muito prejudicial, é essencial ter consciência da finitude, porque a morte tem 100% de eficácia!

Entretanto, a Mariana começou a interessar-se também pelas Cidades Compassivas, fazendo uma formação sobre o tema. Depois de ler um estudo de Karen Armstrong (Prémio TED 2008), autora especialista em temas de religião, que concluiu que o que está na base de todas as religiões é a compaixão, percebe a importância deste sentimento (que é independente da presença religiosa) e resolve criar a Carta da Compaixão, documento que é entregue às pessoas em final de vida que apoia.

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Cria também o Porto Compassio, projeto que vai ser implementado no início de 2020 depois de, em parceria com a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, e com o apoio da Fundação ”La Caixa”, ter ganho o concurso “Apoio a Movimentos Associativos” para criar primeiras comunidades compassivas em Portugal. Este projeto insere-se na Campanha Internacional para as Cidades Compassivas e na Rede Internacional de Ação Compassiva.

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Os primeiros 6 meses do projeto serão dedicados a workshops, reuniões e formações de sensibilização e capacitação para a criação de empatia para com as pessoas em final de vida e para a motivação para o cuidado dos outros. Cuidar não é um peso, é um privilégio, e é isto que é necessário difundir entre as comunidades, para que se tornem compassivas. O objetivo é criar uma rede de pessoas que vão ter formação para agir de acordo com os mapas compassivos que ão ser criados com o foco nas pessoas que vão ser apoiadas.


Para este final de ano e época de balanços, nada como ficares em Silêncio para um regresso em grande em 2020!

Texto: Patrícia Mascarenhas 

Ilustraçõa: Joel Faria

Imagem: Filipe Brandão

Vídeo: Roney Gonçalves