Em Junho falámos da nossa INSEGURANÇA!

Foi em segurança, nossa e vossa, que iniciámos mais uma edição das CreativeMornings Porto. O tema, Insegurança, o convidado, Rui Paixão. Apesar de ainda em modo online, esta edição marcou o início do nosso desconfinamento. Foi uma sessão 3.0 em que uma pequena parte da nossa equipa e o convidado se reuniram no Temporada Cowork onde tomaram um incrível café oferta da Senzu Coffee Roasters acompanhado do maravilhoso pão da Garfa servido com os habituais patês da Greenalyn e onde não faltaram os snacks ultra saudáveis da Bean’Go, os deliciosos bolos da Supernova e os refrescos Honest ou o leite de soja da Shoyce. São pequenos passos que vamos dando neste novo normal!



Insegurança pode parecer um tema negro e pouco feliz, mas como em tudo na vida, são as pessoas que ditam o tom e o espírito com que se encara a vida. E o Rui Paixão ditou que em vez de medos, se falasse de perceções. Em vez de inseguranças se falasse de desafios. E em vez de momentos difíceis, se falasse de novas aventuras. Mas quem é afinal o nosso convidado?
“É um puto que tinha 15 anos quando decidiu ser ator (…) Comecei com pequenas performances. Não era bom a desporto e de repente senti-me integrado”.

O teatro mudou a sua vida, mas após 3 anos de curso o teatro deixou de ser algo que fazia só porque era feliz a fazê-lo, passou a ser algo mais profissional e menos feliz. E no final só conseguia pensar em “Encontrar quem eu era antes disto tudo”. Com esta frase a conversa avançou mundo fora, numa viagem que terminou no Cirque du Soleil na China. Antes de lá chegar andou pela Europa em performances de “passar o chapéu”, altura em que desenvolveu a sua primeira personagem inspirada num palhaço: “Não sabia o que era isto de ser palhaço. Comecei a estudar. Pensei nas referências que tinha e todas me chegavam do Cirque de Solei”.
O Cirque de Solei levou-o à China e a descobrir um novo mundo, muito diferente do seu. Foi com muita segurança que falou da experiência num país onde a perceção das coisas é adulterada e a criatividade censurada: “Criar uma personagem de raiz com esta censura é desafiante”.
O processo foi longo e escrutinado pelo governo chinês. Como Rui contou, teve cenas cortadas e uma personagem, o vilão, que quase deixou de existir. No enredo, o vilão era o Primeiro-Ministro do rei e não se podia passar a ideia de que um Primeiro-Ministro é vilão. A personagem manteve-se, mas descontextualizada por censura. Na peça a sua personagem era o palhaço, Khino, uma figura central, o elo entre o Oriente e o Ocidente.

Um dos maiores desafios desta personagem foi apresentar a figura do palhaço aos chineses. Eles não conhecem esse conceito e o desconhecido gera o caos. Para superar o caos é necessária uma comunidade. Esse sentido de comunidade é o que atrai o nosso convidado para as artes de rua: “Quando estás perante algo que não conheces, o teu corpo não sabe como reagir. Gera-se uma emoção que não sabes o que é. A partir daí uma comunidade porque vais precisar de outro para perceber o que está a acontecer”.
Por último, falou-se sobre a epidemia, as inseguranças que a mesma gerou e o regresso a Portugal, um ano antes do que era suposto. E no final, a conclusão de que Ocidente e Oriente afinal não são tão diferentes entre si. No Oriente a sociedade tem uma perceção adulterada das coisas, mas o governo assume o que faz e porque o faz. No Ocidente acontece o mesmo, mas de forma disfarçada. E esta é a principal insegurança do Rui Paixão!
Sob um tema de “Insegurança”, o resultado não podia ter sido mais seguro. Uma boa conversa, mensagens fortes e a certeza de que mesmo online, a criatividade se propaga e ganha asas. As CreativeMornings Porto regressam no próximo dia 17 de julho, com tema Underdog e o convidado Miguel Januário.

Texto: Mariana Monteiro
Ilustração: Joel Faria
Fotografia: José Reis
Vídeo: Catarina David