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Gustavo Carona...um convidado Radical

O nosso evento de novembro, numa sexta-feira 13, foi o mais radical até hoje, não só porque este era o tema à volta do qual tudo se iria passar, mas também porque não sabíamos se iriamos ou não ter convidado! Tudo correu bem e foi uma sexta-feira 13 com muita sorte, e boa disposição!

A equipa CreativeMornings Porto, respeitando todas as regras de segurança, reuniu-se no Cultura Que Se Come, um espaço fantástico no Porto que vale muito a pena conhecer. Com a ajuda dos nossos parceiros - Senzu Coffee Roasters, abcoffee, Gerador, Porto Canal e Rádio Portuense -, o café estava no ponto, o pequeno-almoço repleto de sabor e o entusiasmo ao máximo.

Gustavo Carona é um nome sonante nos dias de hoje, e uma das vozes mais ativas no alerta para a situação pandémica que vivemos, tema que não sendo a razão do convite ou do evento, acabou por surgir inevitavelmente na conversa.

Ao longo de mais de 20 minutos, uma animada conversa ente a nossa Host, Ana Azevedo, e o Gustavo, levou-nos a viajar pelo mundo da saúde e o radical da ciência. A introdução foi feita com as missões humanitárias que o nosso convidado realizou com os Médicos Sem Fronteiras. Ambientes adversos e realidades muito diferentes do seu dia-a-dia. Aventuras em que saindo da sua zona de conforto, encontrou também um conforto maior.  

“A minha zona de conforto passa muito por olhar para o espelho e gostar daquilo que vejo.  (…) Fui achando que a medicina não podia ser só o exercício de uma profissão no seu sentido mais estrito. Achei que os meus saberes podiam ser úteis noutra parte do mundo e essa vontade fez-me sair da minha zona de conforto. Mas para mim eu não estava confortável se ficasse no mesmo sitio. Fui à procura de um conforto maior”.

Tem duas missões que o marcaram bastante: Paquistão e Síria.  Esta última, marcou ainda mais porque tinha um contexto ainda mais adverso, com a proximidade da guerra, e porque teve cinco companheiros que foram raptados e isso foi uma história marcante. As missões deixam muitas cicatrizes emocionais e não se recupera das mesmas, mas também não é suposto porque não é suposto esquecer.

“Vou aprendendo e tentando não me radicalizar no sentido de me revoltar com a disrupção, com o desnível de realidades por onde tenho andado”.

A conversa continuou pelos meandros da radicalidade do mundo profissional onde o Gustavo se move, abordando aspetos como a morte e como se lida com a mesma, os direitos humanos e o o “valor da vida humana”; e o medo da ignorância na perspetiva que o conhecimento salva vidas.  

Na perspetiva do Gustavo Carona, a ignorância tem duas perspetivas: a forma como acontece nos países subdesenvolvidos onde ainda é preciso ensinar a importância da água potável e de como a não potável mata muita gente, e a ignorância do “nosso mundo”, dos países desenvolvidos. Esta é uma ignorância em relação ao mundo real, que é uma mistura de não querer saber com o não ter informação fidedigna.

“A ignorância é a doença que mais mata. E o tempo atual é um exemplo disso.”

Para terminar, a importância da ciência, bem visível nos dias de hoje, e de como esta deve ser respeitada. Respeitar os seus paradigmas, as suas regras e o seu método cientifico.  

“Aquilo que nós estamos a assistir hoje é o confundir de opiniões de pessoas que nada sabem do assunto com opiniões de pessoas que dedicaram o melhor das suas vidas à ciência”.

Não podíamos ter tido uma sexta-feira 13 mais interessante e cheia de coisas boas. E também radical, afinal era esse o tema do mês. Vê a conversa completa na página da CreativeMornings Porto ou ouve o nosso podcast, disponível na página mais criativa do Spotify.

Texto: Mariana Monteiro

Fotografia: Filipe Brandão

Podcast: Liliana Gonçalves