EM FEVEREIRO O PEQUENO-ALMOÇO FOI DIVERGENTE
Fevereiro foi o mês onde vos convidamos a divergir e a conhecer pessoas e projetos que seguiram caminhos menos convencionais. Tivemos um evento a duas vozes. Duas convidadas que escolheram caminhos divergentes não só pela área de atuação, mas também porque entraram em mundos onde a presença masculina é dominadora e as mulheres são vistas como outsiders.

Como sempre tudo começou às 8h30. O zoom continua a ser a plataforma de encontro, mas o café não falta, assim como a boa disposição e a partilha de conhecimentos e ideias. Apesar de não nos encontrarmos fisicamente, tudo o que fazemos e levamos até ti não é possível sem os nossos parceiros locais – Senzu Coffee Roasters, abcoffee e Gira Terra Oficina de Artes -, e claro os parceiros globais – Basecamp/Hey, Mailchimp e Skillshare. Parceiros que nos ajudam a fazer giveaways. Obrigada Senzu pelo café que vai diretamente para a Sara Natária, vencedora do sorteio.
Como começou o vosso percurso divergente?
A partilha de ideias começou com esta pergunta e a primeira a ter a palavra foi a Laís Reis. Com origens no Brasil, mas há mais de 10 anos em terras portuguesas, apaixonou-se pelo skate na adolescência. Com o tempo desenvolveu não só a técnica, mas também o gosto, e de um desporto o skate tornou-se um estilo de vida. Um estilo de vida divergente porque o skate como profissão era uma escolha pouco convencional. E porque este era, e ainda é, um mundo dominado por homens.
Um percurso semelhante ao da Rafi die Erste que também desenvolveu a paixão pelo desenho na adolescência. Desenhar era o seu refúgio para o caos que estava à sua volta. Em 2002 através de um grupo de amigos conheceu a arte do graffiti e impulsionada pelo mestrado, fez do graffiti a sua profissão. Abriu a Dedicated Store e começou a ter um papel ativo no panorama cultural da cidade do Porto. O equilíbrio entre a loja e o graffiti é feito de forma ponderada e os dois coexistem na perfeição na vida de Rafi.
Como se identificam com a palavra divergente?
Ser divergente é segui um caminho que se afasta do convencional. É ter uma opinião diferente que pode ser expressada num estilo de vida diferente. É nestes termos que as duas convidadas se identificam com a palavra divergente. Expressam o seu talento em artes pouco convencionais e lutam para que esta divergência que vivem hoje convirja num mundo de maior igualdade.
Quando Laís chegou a Portugal reparou que a distinção entre homens e mulheres no skate era muito vincada. A ideia de que tal não estava correto levou-a a criar o projeto Her Wheels, um coletivo feminino que tem como objetivo chamar mais mulheres para a pratica de skate, procurando que elas se inspirem e encorajem mutuamente. Uma ideia semelhante levou a Rafi a fazer parte de uma crew feminina internacional que grafita um pouco por todo o mundo.
O que vos inspira e como inspiram os outros?
No caso da Laís a grande inspiração foi um vídeo feminino sobre skate. Esse vídeo marcou avida dela e hoje tenta replicar o impacto que esse vídeo teve nela na vida dos outros. O skate tem o poder de influenciar e levar as pessoas a expressar a sua opinião através dos movimentos. Com a Rafi a inspiração são as viagens, os livros, as pessoas e a natureza. Procura inspirar os outros com a sua arte. Porque na opinião da mesma, no final não importa a arte que fazemos, mas sim descobrir o que nos faz bater o coração e dedicarmo-nos de corpo e alma a isso.
Voltamos a estar todos juntos dia 26 de março com a Ana Milhazes e o tema “Ondulação.” Reserva o teu lugar e acompanha-nos em mais uma viagem que promete ser muito inspiradora. Até, segue a Laís Reis e a Rafi die Erste nas redes sociais. São mulheres divergentes e inspiradoras, com um percurso de vida que fala por si só.


